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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013


O vison e a sua proprietária

Atualmente, as mulheres têm muito poder e riqueza. Em breve, elas vão ter tudo. Basta apenas casarem uma vez e divorciarem-se, de seguida. Com este método, as mulheres podem ganhar metade dos bens do seu ex-marido. Isto é um processo lucrativo tão fácil e tão simples como tomar um pequeno-almoço! Algumas mulheres ambiciosas podem repetir este processo para obter enormes quantias de dinheiro. Para elas, isto é o custo do amor.
Cada vez mais, no mundo, a sociedade não consegue evitar o divórcio. Parece tão inevitável como a morte. Os homens trabalham muito para terem uma profissão melhor, para ganharem um salário sempre mais elevado. Onde estão os homens ricos e com uma boa profissão? Nada pertence a eles mesmos, está tudo nas mãos das suas mulheres ou das amantes! Roupas, malas, joias, etc.! Os homens devem trabalhar tão esforçadamente como escravos.
Na juventude, os homens, na maioria dos casos, têm mais do que uma mulher. Quando casam, poupam mais dinheiro em casa e com as despesas do que as mulheres, mas gastam bastante se tiverem uma `mulher fresca`, ou seja, se tiverem alguma relação extra matrimonial.
E eles próprios? Os homens não pensam em si mesmos quando são jovens. Com o passar dos anos, o cansaço vai-se acumulando, cada vez mais. Até que, um dia, depois de juventude passada, vão ficar surpreendidos quando chegarem à conclusão de que ainda não realizaram nenhum dos seus sonhos mais profundos. Olham para trás e tudo lhes parece uma perda de tempo.
Ao fim do dia, quando acabam os trabalhos, esgotados e com alguns remorsos, vão para o bar beber uns copos com os amigos. Enquanto bebem, contam algumas histórias sentimentais.
Essas histórias têm sempre como personagens um marido trabalhador, uma mulher pouco escrupulosa e uma amante sem caráter.
 
Hugo e Maria estão casados há mais de dez anos. Vivem numa zona nada espacial do Porto. Ele é dentista e tem um consultório no centro da cidade. Todos os dias, sai de manhã cedo e só chega a casa à noite.
A sua mulher, Maria, fica todos os dias sozinha a tratar da casa. Porém, uma vez por mês vai visitar a sua velha tia a Viseu, voltando só no dia seguinte. O marido compreende a dedicação da sua mulher e autoriza-a a fazer esta viagem todos os meses, mas o que ele não sabe é que a sua mulher, na verdade, vai ter com o seu amante!
- É melhor que não esperes que eu vá contigo - tinha dito Hugo, no início da combinação do encontro mensal.
- Claro que não, querido. Ela é a minha tia e não a tua! - foi a resposta de Maria.
Até aí, tudo bem.
De facto, a tia era um álibi conveniente para Maria.
O amante tem, por norma, mais riqueza e poder. Uma casa simpática e bonita nos arredores. Ele não tem mulher, só uma governanta e umas empregadas fiéis.       Embora ela só saia de casa uma vez por mês, ela esforça-se para que esse tempo seja bem aproveitado.
Os anos sucedem-se. A aliança agradável entre Maria e o seu amante continuou sem problemas. Doze vezes por ano, não é muito para o encontro deles. Como não é possível ter tempo nem pensar mais do que o necessário, nunca sentiram tédio nesses encontros temporários nem se alterou o amor, entre eles. Pelo contrário, ao longo do tempo, a espera entre os encontros só fez com que o coração se afeiçoasse mais e, de cada vez, a separação tornou o encontro mais emocionante.
Cinco anos passaram. No dia antes do Natal, Maria estava parada na estação, em Viseu, esperando o comboio de regresso ao Porto. Esta visita tinha sido particularmente agradável! Com o seu amante, ela sentia que tinha valor, que era uma mulher brilhante. Mas em sua casa, com o seu marido, sempre se sentia como se fosse uma simples paciente.
- O Senhor Fábio pediu-me para dar-lhe isso. - a voz, ao lado dela, era da governanta do seu amante. Quando Maria se virou, viu que ele lhe mandara uma grande caixa, um presente que recebeu de braços abertos.
- Ó meu Deus! - Chorou. - Uma caixa enorme! O que terá dentro? Haverá uma mensagem? Será que ele me mandar uma mensagem? - Perguntou.
- Não. - A governanta afastou-se.
Ela entrou no comboio e foi o WC das mulheres com a sua caixa. Fechou a porta. Era um momento emocionante! Um presente do Natal oferecido por Fábio! Começou a pensar no que existiria dentro da caixa que agora estava nas suas mãos.
Imaginou que esta caixa teria uma peça de roupa, alguma coisa muito bonita! Envolta em imaginação, a caixa pareceu-lhe uma caixinha mágica. Fechou os olhos com força e levantou a tampa, lentamente. Colocou uma das mãos no interior e sentiu: havia um envelope em cima de um casaco de pele de vison! Um casaco tão bonito e tão caro!
- O Fábio quererá casar comigo? - Pensou ela. Abriu o envelope, com muita curiosidade.
 
Uma vez, ouvi-te dizer que gostavas de vison. Por isso, pensei nisto. Disseram-me que é de muito boa qualidade. Por favor, aceita-o, com os meus sinceros votos de felicidades, como um presente de despedida. Por razões pessoais, não é possível explicar-te mais nada. Adeus e boa sorte.
PS. Basta dizeres-lhe que a tia foi muito generosa, neste Natal!
 
- Não! - Voltou a chorar. A realidade estava toda ao contrário. Fábio acabou com ela, este era o último presente que lhe oferecia!
Maria chorou muito, mas era uma mulher madura. Limpou as lágrimas da cara e começou a pensar numa solução para poder levar o casaco para casa, porque o seu marido não era burro. Claro que não poderia dizer-lhe que tinha sido uma oferta da tia!
 - O homem deve estar louco! - Disse ela. - A minha tia não tem tanto dinheiro. Não poderia oferecer-me isto!
Então quem teria sido?
Duas horas mais tarde, ia encontra-se com o marido, em casa! E não poderia levar o casaco com ela!
Maria disse em voz alta:
- Eu tenho que ficar com este casaco! Eu tenho que ficar com este casaco!
Muito bem, minha querida. Quer ter o casaco! Mas não entre em pânico! Sente-se imóvel, mantenha a calma e comece a pensar. É uma menina inteligente, não é? Já o enganou antes. O homem nunca foi capaz de ver muito mais do que os objetivos das suas próprias investigações, sabe disso. Então, basta sentar-se absolutamente imóvel e pensar. Tem ainda muito tempo!
Duas horas depois, o comboio chegou à estação do Porto. Ela desceu do comboio e caminhou rapidamente para a saída. Continuava a usar o seu velho casaco e levava a caixa com o belo vison debaixo do braço. Na paragem, chamou um táxi.
- Boa tarde. - Entrou no táxi. - Sabe onde posso encontrar uma casa de penhores que ainda esteja aberta, por aqui?
- Sei, sim senhora. Na rua à esquerda, no próximo cruzamento. - Respondeu o taxista, depois de ter olhado para a mulher, com atenção.
- Então, leve-me lá, por favor. - Pediu ela, arrumando bem o casaco.
O taxista parou o carro em frente de uma casa de penhores que tinha duas lanternas vermelhas penduradas na porta.
- Espere por mim, por favor. - Disse Maria ao taxista. Abriu a porta do carro e entrou na loja.
A loja estava mergulhada em silêncio e Maria não viu patrão nem empregado. Finalmente, o patrão lá apareceu, ao fundo da loja, vindo de um sítio escuro, enquanto Maria observava uma quantidade de coisas fantásticas que outras pessoas tinham trocado por dinheiro.
- Posso ajudar? - Inquiriu o patrão.
- Eu perdi a minha carteira. Como hoje é sábado, os bancos estão todos fechados até segunda-feira, e eu preciso de ter algum dinheiro para o fim de semana. Aqui, tenho um casaco novo e valioso, mas não lhe vou pedir muito. Só quero o suficiente para o necessário destes dias. Talvez, por volta de 50 euros. Na segunda-feira, volto para o resgatar.
O homem não falou até Maria mostrar o casaco. Depois, surpreendido, olhou-a com olhos enormes.
- Este casaco é novíssimo e é de pele verdadeira! - o patrão parecia estar a avisá-la.
- Claro que sim, eu sei. Mas como não tenho um relógio ou um anel valioso…
O homem concordou com ela, tirou um papel e começou a escrever. Pediu-lhe as informações necessárias sobre a identificação do proprietário. Mas Maria quis que o ticket ficasse todo em branco, apenas com o registo do valor que iria receber pela penhora.
O patrão levantou a cabeça, olhou para ela, voltou a escrever e disse:
- Sim, pode ser. Mas se perder o talão, não temos a responsabilidade de lhe devolver a si mesma o casaco, qualquer pessoa o poderá reclamar.
Ela não queria saber nem pensar e concordou com o homem. Recebeu 50 euros e o talão do casaco. Saiu para fora e voltou para casa, de táxi.
 
Ao fim do dia, o seu marido tinha terminado os trabalhos no consultório e chegou a casa. Antes de jantar, enquanto Maria preparava a mesa para a refeição, ele falou-lhe como se fosse um marido feliz.
- Sabes que tive sorte, hoje! Cheguei a casa de táxi e dentro do táxi encontrei um talão de uma casa de penhores. Não está escrito quem é o proprietário, está apenas o valor de 50 euros. - Comentou o médico.
- A sério? Então podes ir lá levantar o objeto penhorado? Onde é? - Hugo ia lendo o jornal e não respondeu, distraído.
- É perto de tua clínica! No início da rua. - Acrescentou ela, pegando no talão.
- Pronto, descansa, eu vou lá trocar isso, na segunda-feira. - e Hugo terminou a conversa.
 
Na segunda-feira seguinte, Hugo beijou a mulher e pôs-se a caminho da clínica, com o talão.
Maria só acordou mais tarde. Fingindo-se muita curiosa, telefonou ao marido e perguntou-lhe:
- Então? Já sabes o que é?
- Tens sempre sorte! É uma coisa para mulher! - Do outro lado do telefone, escutou-se a voz dela.
- Tu sabes! Eu tenho sempre boa sorte! Quero ver o que é, já! Tens tempo para almoçares comigo? Vou passar pela tua clínica!
- Sim, pode ser à uma da tarde. - Respondeu Hugo.
- Então, até logo!
Esta menina! Pensava que o casaco iria voltar a cair-lhe nos braços, depois de tantas dificuldades. A sua felicidade era enorme! Vestiu-se com elegância e esmerou-se na maquiagem para ficar perfeita, depois de vestir o seu valioso casaco.
Saiu muito cedo para fazer o caminho a pé, procurando controlar o medo de chegar atrasada, o medo que o casaco fugisse se ela não estivesse lá a tempo.
Quando entrou na clínica, bateu à porta do escritório do seu marido.
- Onde está a minha prenda!? - Hugo ainda não tinha olhado para ela, mas a voz dela já ecoava na sala. O marido levantou-se da cadeira, pediu-lhe que se virasse para atrás e fechasse os olhos.
Maria ficou muito excitada e levantou os braços, perpendicularmente ao corpo, porque ela sabia que ia ser vestida, de seguida. Mas o que tocou na sua pele, apenas roçou o pescoço. Começou a sentir dúvidas. Como? Ela abriu os olhos e viu apenas o cachecol que fazia conjunto com o casaco, também ele feito de pele de vison.
Então?
Maria começou a pensar. O que se passava? A sua primeira conclusão foi: como o talão não tinha nenhuma informação, o patrão da loja tinha-a enganado.
De imediato, ela disse ao marido:
- É bonito! Mas quero ir à casa de banho, quero compor bem o cachecol. Só um momento!
Saiu do escritório. Andou muito depressa. Onde ela passava tudo parecia estar congelado mas podia ver-se o fogo que lhe atravessava os olhos. Telefonou para a casa de penhores. O padrão confirmou-lhe que, em troca do talão, tinha devolvido o belo casaco, tudo completo, a um homem com cerca de 35 anos.
Quando ela recebeu esta confirmação, deixou de compreender o que se tinha passado. As dúvidas persistiram no caminho de voltar para o gabinete do marido. Porém, a certa altura, deteve-se, deixando cair ao chão o telemóvel que ainda guardava na mão. Surpreendida, viu que o seu casaco já tinha uma nova proprietária – a secretária do dentista Hugo.
 
Hu Jun, nº15, 11ºA1 PLNM

A rapariga e a grande muralha da China
 

Há muitos séculos atrás, houve um rei que tinha um poder absoluto, dominando os seus povos com grande autoridade.
        Este rei era muito ambicioso. A sua maior ambição era conquistar todos os países à volta do seu reino. Para conseguir atingir os seus objetivos, ele pensou numa estratégia poderosa: construir uma grande muralha, para cercar todos os territórios subjugados.
Assim, ele deu início a este trabalho. Enviou os seus soldados a todas as vilas e aldeias com uma ordem: todos os homens válidos deviam deixar as suas famílias e apresentarem-se para levantarem a grande muralha.
A construção começou em força. Milhares de homens-escravos trabalhavam de noite e de dia, carregando pedra, partindo pedra, colocando pedra sobre pedra. Os dias não tinham fim e a muralha crescia devagar, devagarinho...
O rei não estava satisfeito com a situação e enviou, de novo, os seus soldados às aldeias para encontrarem mais gente para a grande empresa.
Todos os homens adultos que não conseguiram esconder-se foram levados à força para a grande construção. Com mais gente a trabalhar, esperava o Rei que a sua muralha pudesse avançar mais rapidamente.
Naquela época, numa pequena aldeia de China, uma velha, mais uma vez e como todos os anos, plantou abóboras na sua horta, pensando nas sopas deliciosas que iria saborear, no inverno seguinte. As plantas cresceram bem, mas, para sua surpresa, uma das aboboreiras, cresceu com a forma de uma serpente. Ágil e forte, a haste principal ficou repleta de folhagem e, rapidamente, passou por cima do muro de pedra que separava a sua horta da horta do seu velho vizinho. Este ficou a ver as abóboras amadurecerem na sua horta e, na altura certa, sem se importar com a origem da fortuna, decidiu colher a melhor das abóboras. Cortou a haste e abriu-lhe a casca forte, de cor alaranjada. Nesse momento, viu que uma linda jovem estava adormecida no seu interior. O velho ficou muito feliz, e contou este acontecimento aos vizinhos. Porém, a velha que plantou a abóbora entrou em conflito com o velho, exigindo que ele lhe entregasse a rapariga. A velha dizia:
 – Fui eu que plantei a abóbora, por isso ela é minha.
 O velho replicava:
 – A abóbora cresceu na minha horta, por isso é minha a rapariga. Eles brigaram três dias e não se viu nenhum resultado. Depois, os vizinhos ajudaram a resolver o assunto e os dois velhos decidiram que a jovem misteriosa pertenceria aos dois.
Como o tempo voa, a jovem chegou rapidamente à idade de casar. Os velhos escolheram-lhe um genro que era um rapaz simpático, bonito e diligente. E decidiu-se o dia do casamento.
Na noite de núpcias, depois dos rituais de casamento, a noiva estava sossegada no seu quarto e esperava ansiosa pela entrada do noivo. Estava muito bela. Envolviam-na as sedas vermelhas do seu vestido de noiva. A cabeça estava coberta pelo véu nupcial, que seria retirado quando o noivo entrasse no quarto. Quando ele chegou e abriu a porta do quarto devagarinho. Olhou para a sua maravilhosa mulher e imaginou que iriam ser muitos felizes. Aproximou-se dela e, delicadamente, começou a levantar o véu, emocionado com a alegria de descobrir a pureza do seu rosto.
Nesse preciso momento, um grupo de soldados invadiu o pequeno quarto. Capturaram o noivo indefeso. Ele não compreendia o que se passava e procurou resistir. Mas os soldados prenderam-no sem dificuldade. Na aflição, noiva pegou na mão do noivo e pediu aos soldados para não o capturarem. Caiam as lágrimas pelo belo rosto da noiva. Os duros corações dos soldados comoveram-se e também acharam que esta situação era lastimável. Mas não podiam dar ouvidos aos seus corações, não tinham poder, tinham de cumprir as ordens. E levaram o noivo cativo.
No dia seguinte, a noiva soube as razões desta captura inesperada. O Rei estava a construir uma muralha. Todos os homens adultos deviam ajudar. Os trabalhos não podiam parar e todos eram poucos. De noite e de dia, era preciso não parar e os que morriam eram logo substituídos por outros. A construção da muralha obrigava o Rei a enviar os seus soldados a todas as aldeias do reino para capturarem mais homens, sempre mais, sempre mais …
E passou mais de um ano. O noivo continuava sem voltar. A noiva, ansiosa, falou com os velhos e decidiu ir procurá-lo.
Antes da partida, ela preparou boas comidas, costurou um casaco novo para o noivo e meteu-se ao caminho. Onde seria a tal muralha? Ela não sabia mas, passo a passo, foi procurando o caminho que se desenrolava entre montes e vales.
Um ano, dois anos... No terceiro ano a noiva encontrou uma pequena aldeia e perguntou ao seu chefe:
                – Como é que posso ir para a muralha?
O chefe disse:
                – Desde aqui, sempre para sul. Se vais a pé, demorarás mais ou menos três meses.
                A noiva descansou apenas um minuto e seguiu viagem.
Passaram os três meses, rapidamente. Num certo dia, a rapariga avistou o que lhe pareceu uma grande serpente, mas era a grande construção, vista de longe. O seu coração sentiu uma grande tristeza. Continuou até encontrar alguém que conhecesse o seu jovem marido.
– Viste o meu noivo? Ele é...
A noiva contava como era o seu noivo.
                Um dia, um dos chefes da construção respondeu-lhe:
                – O seu noivo já morreu, há três anos.
                A noiva ouviu e pareceu não ter compreendido. Em silêncio, devagarinho... começou a chorar. Então, o céu ficou nublado e começou a chover. Uma enorme e estranha trovoada caía sobre a muralha. O chefe viu o que se estava a passar e foi a correr contar ao Rei. A tempestade não parava e o Rei foi ver o que estava a acontecer. A sua muralha estava a ser destruída. O Rei ficou muito zangado, porque eram as lágrimas da rapariga que estavam a provocar toda aquela desgraça. Mandou que fossem buscá-la e a trouxessem à sua presença. Porém, quando ele viu a beleza do rosto da jovem, mudou de opinião. Logo ali, quis que a jovem se tornasse sua rainha. Mas, para isso, a noiva requereu uma condição: que procurassem, primeiro, o corpo do noivo e se fizesse o seu funeral. O Rei aceitou.
              Depois do funeral, a noiva ficou a chorar três dias, em frente ao sepulcro do noivo. No quarto dia, ela fez outro pedido ao Rei. Queria subir ao ponto mais alto da muralha, lá onde ela mais se elevava sobre o abismo da montanha. O Rei, submisso à paixão que sentia pela rapariga, consentiu.
                E quando a viram despenhar-se lá do alto, todos souberam que a futura rainha tinha ido ao encontro do seu único noivo.                             

  Li Te, 8º Ano, PLNM

A INCÓGNITA DO FUTURO

Se eu acredito em algum modo de prever o futuro? A esta pergunta posso responder que sim, que acredito. Mas também posso dizer que não, que tenho dúvidas, que não sei.

Pessoalmente, nunca recorri a nenhum meio de previsão do futuro, mas conheço pessoas que já o fizeram e garantem que é tudo verdade. Já pensei em experimentar e ir ver como é. Contudo, na verdade, acho que não gostaria de conhecer o meu futuro.

Agora, estou a viver o presente e ainda não esqueci o passado. Para que quero pensar já no futuro? Será que as pessoas querem conhecer o futuro para saberem como se vive o presente? Parece-me que a vida não deve ser vivida assim! A vida está cheia de surpresas! Se todas as pessoas conseguissem ver o amanhã, a vida deixava de ter tanta piada!

Há coisas em que eu acredito e há muitas coisas sobre as quais tenho dúvidas. Há pessoas que acreditam em Deus e leem a Bíblia. Eu não. Eu acredito na música e coloco a rádio mais alta. Há pessoas que dizem: “Sem Deus não somos nada.” Eu não. Eu digo: “Sem música não sou nada.”

Será que vale a pena conhecer antecipadamente o futuro?   
Dezembro 2011
Keeley Hood, 7ºD – PLNM

 

sábado, 3 de dezembro de 2011

A INCÓGNITA DO FUTURO

Se eu acredito em algum modo de prever o futuro? A esta pergunta posso responder que sim, que acredito. Mas também posso dizer que não, que tenho dúvidas, que não sei.
Pessoalmente, nunca recorri a nenhum meio de previsão do futuro mas conheço pessoas que já o fizeram e garantem que é tudo verdade. Já pensei em experimentar e ir ver como é. Contudo, na verdade, acho que não gostaria de conhecer o meu futuro.
Agora, estou a viver o presente e ainda não esqueci o passado. Para que quero pensar já no futuro? Será que as pessoas querem conhecer o futuro para saberem como se vive o presente? Parece-me que a vida não deve ser vivida assim! A vida está cheia de surpresas! Se todas as pessoas conseguissem ver o amanhã, a vida deixava de ter tanta piada!
Há coisas em que eu acredito e há muitas coisas sobre as quais tenho dúvidas. Há pessoas que acreditam em Deus e lêem a Bíblia. Eu não. Eu acredito na música e meto a rádio mais alta. Há pessoas que dizem: “Sem Deus não somos nada.” Eu não. Eu digo: “Sem música não sou nada.”
Será que vale a pena conhecer antecipadamente o futuro?  
Keeley Hood, 7ºD – PLNM, Dezembro 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

Comentário sobre um Texto Publicitário

Isto é um folheto que escolhi na Gazeta de Caldas porque ele se destaca de muitos outros neste jornal e também corresponde ao assunto do exercício que devemos fazer sobre anúncios de serviços.
 

N
a página do jornal, o anúncio é apresentado ao fundo e à direita da página. Esta disposição tem importância porque vemos e memorizamos melhor mensagens e imagens situados à direita (seguindo uma técnica de comunicação conhecida  na PNL1)
(1 = Programação neurolinguística)

O
 folheto é distintamente constituído por 3 partes e dá informações sobre os serviços principais que a empresa SPA Auto oferece nos seus
centros de lavagem ecológica de automóveis :
« Limpa – encera – protege »
(As principais palavras-chave sobre a finalidade da empresa)





N
a parte superior à direita vemos o nome da empresa Spa Auto em letras grandes  e o logótipo que o precede.  Este logótipo simboliza a mensagem das palavras-chave. Ele é de cor verde quente como a maior parte do folheto para sugerir a ética ecológica da empresa. Podiam ser gotas (para sublinhar a ideia de limpeza) mas não são gotas de água (é a cor azul ou branca que simboliza água limpa). Aqui a cor verde diz que é um produto ecológico. A forma das gotas sugere também penas (para sublinhar a ideia de protecção).

N
o centro do folheto fica a parte prática da mensagem, com uma forma de apresentação muito clara: a enumeração dos serviços em moldura à esquerda e os preços à direita em letras brancas, sobre um plano de fundo verde-escuro.
O texto  de cor branca representa modernidade e limpeza e a cor verde escura, no fundo, dá uma orientação sensorial em harmonia com a natureza, provocando contraste para sinalizar a particularidade do tipo de lavagem.
Esta empresa quer dizer directamente o que é que ela faz e quanto custa o serviço, sem efeitos espectaculares de cor agressiva.
A disposição diz também: somo sérios, aqui tudo é limpo e seguro.
Então o leitor, consumidor potencial, “pode confiar na empresa...” e quer saber onde é que ela fica...

...ele vai olhar para a parte de baixo onde, à primeira vista, achamos os números de telefone em negrito e sublinhados.




É
nesta parte que vamos também descobrir     elementos técnicos de publicidade em 3 dimensões.....
Com certeza Spa auto é uma empresa com muitas agências e, ao que tudo indica, possui um serviço central de marketing que faz análises do perfil e do comportamento do consumidor tipo.

À esquerda (para indicar sobriedade/modéstia como se apenas pretendesse apresentar uma simetria visual com o bloco central, à direita) Spa auto -

  • Dá uma informação importante sobre o número é a localização das agências em Caldas (primeira dimensão!)

  • Oferece uma vantagem financeira (segunda dimensão com a introdução de um argumento comercial de impacto forte). O preço do serviço, menos o preço de estacionamento, mais longo do que a duração do serviço!

  • Introduz um elo de coesão entre:
    • O público-alvo (as pessoas que vivem nas Caldas, não têm a possibilidade, ou não têm tempo, para limpar o carro mas têm dinheiro suficiente, têm uma vida confortável, têm cuidados de limpeza, de higiene e de utilização de novas tecnologias mais ecológicas, fazem as compras no centro da cidade, ou querem ver espectáculos no CCC,, etc.)
    • A possibilidade de juntar necessidades e desejos de: estacionar, andar devagar, fazer as compras ou visitar uma exposição e depois achar um carro limpo/higienizado pelo preço indicado sem surpresa... a terceira dimensão! Está criado o efeito de atracção e de orientação/sedução dos leitores! Esse efeito é cuidadosamente trabalhado no estilo do texto, de acordo com a tipologia dos consumidores   alvo.
  


O
  asterisco ao lado de “GRÁTIS” leva o leitor a ler as informações à direita sobre os preços habituais de estacionamento.

Finalmente há também duas linhas de texto sobre serviços que necessitam negociar o preço e que dão uma indicação sobre o outro segmento de mercado da empresa que propõe um serviço profissional à lista (à medida). Aqui também vemos que, em cada linha, aparecem exactamente 3 tipos de serviços  = (3 x 2) 6 serviços.

- Preparações para venda / frotas / outsourcing
                       1                         2      3

- Propostas para stand / concessionário / oficina
                                               1                                 2                3


E
ste tipo de empresa existe também na França, na Alemanha...
Todavia, nestes países, elas dão-nos folhetos com mais indicações sobre a empresa (a forma jurídica ou o nome se é uma empresa unipessoal, endereço do sede, etc.).
Amiúde, comunicam também quais os argumentos ecológicos, a aparelhagem, os produtos e indicam, com abreviaturas ou logótipos conhecidos, as normas técnicas que respeitam.
No Inverno, propõem lavagens intensivas da parte de baixo do chassis porque muitas ruas estão cobertas de sal ou de cinza para fazer derreter o gelo.


E
m Portugal, eu só vi o serviço de higienização e perguntei-me: “O que é?” Palavra puxa palavra, fui desenvolvendo o meu trabalho de casa para aprofundar este assunto.
Se querem saber mais, leiam o próximo texto!




HIGIENIZAÇÃO


F
iquei surpreendida porque é um serviço caro (75, -€!!!). Consiste em utilizar produtos desinfectantes para matar microrganismos e mofo dentro dos filtros de ar e dentro o carro, produtos esses que, talvez, não são muito voláteis (aderentes para um efeito mais durável...), que, talvez, impermeabilizam os estofos e as carpetes e que penetram nas zonas de acesso difícil onde os microrganismos proliferam e naquelas onde a humidade provoca a formação de fungos...

E
fectivamente, hoje, muitas pessoas têm alergias, irritações, doenças respiratórias ou da pele. Com certeza já foi demonstrada a possível ligação entre estes problemas e a presença de fungos, de algumas bactérias.... Em seguida as indústrias químicas e farmacêuticas, com o apoio de argumentações de médicos e cientistas, desenvolveram múltiplos produtos, utilizados e vendidos pelos profissionais da saúde humana e animal, usados nas indústrias alimentares, etc. mas também pelos centros de lavagem - e cada vez mais, também - vendidos nos supermercados!

D
ito de outro modo, queria dizer que temos aqui um assunto não tão anódino como parece.

A
s pessoas que utilizam em demasia ou com excessiva desenvoltura produtos desodorizantes para o mau cheiro, desinfectantes para matar bactérias, vírus, fungos, etc., fazem que este processo se torne num círculo infernal. Estas são algumas razões que contribuem para isso :

  • É impossível que um lugar fique, sempre, sem bactérias, etc. Os nossos sapatos estão cheios de bactérias, vírus, etc. As nossas mãos também porque tocamos outras mãos e objectos (maçanetas, corrimões, dinheiro/trocos que utilizamos, teclas de caixas e de máquinas), animais domésticos,... . E (tal como referi sobre a lavagem de carros) os filtros de ar no carro deixam entrar o ar exterior (pó, pólen, bactérias,...).

  • Nem todas as bactérias são más, algumas são úteis. Quando utilizamos produtos que matam quase todas as bactérias, isso pode ser ainda mais perigoso (*) porque se as bactérias úteis, aquelas que o nosso organismo conhece ou outras que ele combate sem dificuldades desaparecem, outras, não habituais, vão apoderar-se do terreno, enquanto o nosso sistema imunitário as não puder combater.

  • Algumas bactérias, fungos e vírus podem mudar e deste modo resistir. É, por exemplo, o problema bem conhecido da utilização demasiada ou falsa de antibióticos que leva à resistência das bactérias. Hoje, temos em mãos um problema muito sério porque não é fácil descobrir novos antibióticos. É uma corrida que talvez não iremos ganhar!

  • Acho também que, muitas vezes, o efeito de produtos desinfectantes e desodorizantes é um efeito de ilusão ; os utilizadores têm um sentimento de segurança provocado pelo perfume agradável sinónimo de limpeza, de natureza, a ideia de um espaço agradável : os laboratórios estudam o efeito de moléculas com especialistas de marketing. Eles oferecem também produtos ditos neutros ou sem aditivos, sem cheiro, etc. destinados às pessoas que têm também problemas com as substâncias usadas para perfumar. Mas alguns produtos desodorizantes só tapam o mau cheiro e um cheiro é constituído por moléculas em suspensão no ar ou fixadas. Tapá-las não vai eliminar as moléculas. Então, é fácil compreender que, por exemplo, alguns produtos não matam as moléculas de nicotina. As pessoas que os utilizam têm boa consciência quando bebés, crianças, pessoas vulneráveis ou outras entram no carro, num quarto ou numa sala cheia de perfume, que tapa as moléculas prejudiciais. É preciso alertar, ganhar uma nova consciência e, talvez,...  mudar de hábitos de vida!



E
m conclusão, sobre o serviço de higienização, acho que pagar 75 € por um efeito efémero é caro, exceptuado se o carro está muito sujo ou se é um veículo que transporte pessoas doentes, animais, produtos alimentares termo-sensíveis e tem de obedecer a regras processionais sobre higiene.  Mas, normalmente, existem alternativas mais baratas para veículos ligeiros privados: limpar, utilizar o aspirador e - se alguns o querem ou precisam - comprar um spray desodorizante no supermercado. É, como em muitas coisas da vida, uma questão de equilíbrio. Não podemos vencer, podemos só ter cuidado para não oferecer possibilidades de invasão perigosa!


(*) = Na Alemanha, cientistas estudaram populações de crianças e observaram que nos grupos de crianças que vivem no campo em contacto com pólen, bactérias de animais, colibacilos... não existem muitas alergias e doenças respiratórias. Em grupos que vivem em cidades, num ambiente “higienizado”, muitas crianças têm alergias, etc. Em consequência, fizeram experiências, descobrindo que muitas crianças da cidade e com alergias, que ficaram algumas semanas em famílias no campo, não tinham mais problemas respiratórios ou de pele..




mcn